CLUBE ATLÉTICO

JAGUARÉ UNIDOS

Foi no inicio dos anos 90, em meio ao governo da Prefeita Luíza Erundina, que um dos maiores patrimônios do bairro do Jaguaré e do futebol amador da cidade, quase virou pó. Ou melhor, quase se transformou em mais uma série de arranha-céus que proliferam em São Paulo. É que a área que o clube mantém há mais de 35 anos, com 21.000 metros quadrados, foi ocupada por tratores e engenheiros de prancheta em punho, prontos para iniciar as obras de um conjunto habitacional particular. Seria o fim do Caju.

Vista aérea do CDM Jaguaré.

Contudo, com o apoio da prefeita Erundina e do seu então Secretario de Esportes, o jornalista Juarez Soares, montou-se uma estratégia de guerrilha em uma única madrugada: várias pequenas edificações foram erguidas - bar, churrasqueira, sala de troféus, vestiários, bancos para reservas, etc etc - criando um fato novo para os incrédulos incorporadores.

A ex-prefeita Luiza Erundina, o Padre Roberto, o advogado Firmino e toda a comunidade do Jaguaré comemoram o fim da batalha pela posse do terreno.

Moral da história: a obra foi embargada, os tratores foram embora e o Caju, um dos mais tradicionais times de várzea da Zona Oeste continua com o seu rico pedaço de terra. Ele e todos os outros times que se utilizam dessa área para a prática de esportes e lazer.

Contudo, essa foi uma luta árdua, que necessitou de parceiros valentes e dispostos a fazer valer o direito de a comunidade ter acesso à prática de esportes. Mas foi fundamental a atuação do Padre Roberto, da Paróquia São José do Jaguaré, conforme conta José Ferreira, o Talkinho, atual diretor de esportes do Jaguaré Unido e desde aquela época um dos que lutou pela manutenção dessa área:

"A coisa embaçou, já tínhamos perdido várias batalhas e perder a guerra era só questão de tempo. Ao lado do Zé Baiano, que dirigia o Nacional do Jaguaré, que utilizava o mesmo espaço que nós e mais um grupo de pessoas que há muitos anos viviam na região, foi buscada a única e última saída: recorrer ao Padre Roberto, que tem muito prestígio na região e que fazia as festas todas do bairro, principalmente as das crianças e as festas de esportes".
No destaque, Zé Baiano,
dirigente do Nacional/Jaguaré.

Padre Roberto aceitou o desafio, tomou pé da situação e comandou o movimento junto às demais lideranças do bairro. Só com sua adesão foi possível entender uma complicada trama que ameaçava tirar a área da comunidade, segundo conta o dirigente Talkinho:

"Essa área foi doada à Prefeitura em 1953, com a finalidade de ser utilizada para atividades de recreação e lazer da comunidade. Terreno baldio e espaços livres sobravam na região, que hoje está praticamente toda ocupada. Com o passar do tempo, ela foi abandonada, não recebia nenhuma atenção ou qualquer melhoria do poder público. Foi então que a Imobiliária Jaguaré, pelo que soubemos, pagou todos os impostos atrasados e fez o projeto para lotear a área e ainda construir um conjunto habitacional".
Padre Roberto,
da Paróquia
São José: Um
guerreiro do
Jaguaré.

Antes de a estratégia de guerrilha ser montada na véspera de as obras terem inicio, muita discussão e idas e vindas aos gabinetes da administração municipal foram necessárias. Talkinho, Zé Baiano, o Padre Roberto e o advogado Firmino Fechio, profissional de carreira que viria a ser Secretario na Administração de Luíza Erundina, não descansaram um dia sequer.

O resultado final, porém, provou que a união da comunidade, com muita garra para lutar por seus direitos, era fundamental. E uma guerra que parecia perdida, transformou-se numa das mais duradouras e festejadas vitórias dos esportistas do Jaguaré.
No local, onde hoje estão os vestiários do CDM do Caju, poderia ter dado espaço a mais um conjunto de prédios.

"Valeu a pena", relembra Talkinho. Teve muita gente anônima, que não aparece, mas que foi muito importante para essa vitória. Gente que levantou paredes, assentou tijolo, amassou muito barro para que a comunidade possa desfrutar hoje desse CDM (Centro Desportivo Municipal). Além dos vários times que se utilizam do campo, tem a quadra de futebol society, com grama artificial, tem a sede social com secretaria e sala de troféus, tem o bar, um grande número de vestiários e as escolinhas de futebol, onde centenas de crianças se ocupam de forma ordeira e disciplinada".

Essa é só uma parte da história de lutas do Jaguaré Unido. Suas conquistas, sua gente, seus planos, estão nas páginas deste Site, ilustrando a seção Memórias da Várzea.