GRÊMIO ESPORTIVO
BLACK POWER
DO IPIRANGA


Os anos 60 foram marcados pela união da rebeldia com um potencial criativo, um idealismo marcante e abrangente, uma força e um poder que os jovens jamais haviam experimentado. Foi a época das mudanças.

Formação de 1973 que disputou a Copa dos Campeões. Em pé: Mijó, Tião, Rubinho, Ézio, Nanico, Zanata, Mauro, Beco (técnico). Agachados: Dark, Zé Luis, Sauá, Edu, Nei.

Um movimento que refletiu bem essa idéia de contestações começou durante os Jogos Olímpicos do México, em 1968. Eram homens que lutavam contra a discriminação racial e atraíam a atenção do grande público para sua causa. Seus precursores? Tommie Smith e John Carlos, atletas afro-norte-americanos, respectivamente o campeão e o terceiro colocado nos 200 metros do atletismo.

Em um protesto anti-racista, ambos subiram ao pódio da premiação com luvas negras e punhos cerrados, o vigoroso sinal do movimento Black Power. Recusaram-se ainda, a fitar o hasteamento da bandeira e a respeitar o hino dos Estados Unidos.

Equipe de 1974. Em pé: Tião, Nanico, Mauro, Ézio, Jorge, Zanata, Lauro (técnico). Agachados: Li, Dark, Zé Luis, Sauá, Ulisses.

Depois desse episódio, outros competidores, de diferentes modalidades, se solidarizaram com os norte-americanos, passando a repetir os gestos dos punhos erguidos em sinal de apoio ao protesto silencioso porém eficaz.

Exatamente quatro anos após as Olimpíadas do México, os reflexos das manifestações ainda repercutiam no mundo. Assim, nasceu no bairro do Ipiranga, em 24 de dezembro de 1972, o Grêmio Esportivo Black Power, um time de futebol formado por atletas negros, de cabelos cheios, que além do domínio da bola queriam exaltar sua posição contra a segregação racial existente em todos os cantos do planeta.

Festival de Aniversário do Vibrante da Vila Mazzei, em 1975.
O jogo foi no campo do Benfica da Vila Maria.

"Quando começamos não tínhamos um nome definido. Primeiro, pensamos em Águia Negra, depois Cartola, até que nos decidimos por Black Power, por causa da moda dos cabelos e do movimento negro", conta Édson Aparecido Corrêa, o Branca, fundador e presidente do clube.


Festival "Grêmio Esportivo Centenário Ipiranga" que o Black participou, em 1979.
"Somos de uma família muito grande, que se reunia todo o final de ano para comemorar o Natal. Sempre jogávamos peladas nessas ocasiões. Até que resolvemos montar um time de futebol, formado por parentes e amigos", relembra o presidente. "Não havia racismo no nosso time. Mas como somos todos negros, na época, nossa equipe não tinha jogadores brancos. Só uns cinco anos após a fundação é que eles começaram a aparecer".

Sobre o primeiro jogo que o Black Power disputou, Branca não esquece nenhum detalhe: "Jogamos contra o Fantástico, da Vila Mariana, no campo da Brahma e vencemos por 5 a 1. Foi muito emocionante".

"O Black era muito mais que um time. Era uma família, unida, acima de tudo, pelo amor".